Você conhece ou convive com alguma criança ou adolescente com timidez excessiva ou transtornos como depressão e ansiedade?

– Que deixa de comer para jogar ou realiza todas as refeições em frente ao computador/televisão?

– Evita estudar ou não termina tarefas do trabalho? Não sai com amigos ou se relaciona com seus familiares?

– Compromete seu horário de sono para usar equipamentos digitas mais e mais?

 

O Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo analisou a saúde mental de crianças e adolescentes entre cinco e 17 anos. Cerca de 8 mil pessoas participaram e os números assustam: a média de uso de eletrônicos é de 9h por dia (excluindo o tempo de estudo) com 85% usando mais do que usava antes da pandemia.

O estudo mostrou que 21% dos entrevistados dormem depois da uma hora da manhã em dias de semana; 43% não fizeram qualquer atividade física nas duas semanas anteriores à pesquisa; 26% têm acessos de raiva frequentes; 11% estão tristes e desanimados e 17% dizem sentir medo.

“As crianças ficam expostas ao estresse dos pais, ansiedade, consumo de álcool, violência doméstica. As limitações da pandemia e outros fatores cobram um preço alto. Alguns dos dados preliminares preocupam – 15% das crianças apresentam níveis clínicos de ansiedade e depressão”.

Pediatras de todo o Brasil relataram que estão notando alterações comportamentais em seus pacientes.

 

O confinamento prolongado, a perda da convivência com os amigos, a distância da escola e a difícil adaptação aos estudos online geram ansiedade, irritação e medo nas crianças e adolescentes. Isso sem falar naqueles que sofreram perdas de entes queridos.

A presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciana Rodrigues Silva, diz que os pais devem redobrar os cuidados em relação à tecnologia e reavaliar a rotina dos filhos, para verificar se eles estão extrapolando no uso de equipamentos digitais (TV, notebooks, celular e outros). A médica Evelyn Eisenstein contribui: “as relações humanas precisam prevalecer, norteadas por afeto e compreensão, para que essa fase difícil seja superada em conjunto”.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, qualidade de vida envolve o bem estar espiritual, físico, mental, psicológico e emocional, além de relacionamentos sociais, como família e amigos e, também, saúde, educação, habitação, saneamento básico e outras circunstâncias da vida.

Enumeramos 5 hábitos que estão ao seu alcance como meta para uma melhor qualidade de vida.

1.

Alimente-se de maneira saudável; não fume; evite café e bebidas alcoólicas em excesso; não dirija após ingerir bebida alcoólica; procure dormir 8 horas diárias; faça atividades esportivas e de lazer regularmente; resolva problemas de forma racional, encarando-os positivamente; administre seu tempo realizando uma atividade de cada vez; cultive o bom humor.

2.

Programe e tire férias anuais; não leve serviço para casa; mantenha o ambiente de trabalho limpo, iluminado, ventilado, sem cigarros, poluição ou barulho excessivo; em momentos de tensão faça um relaxamento com respiração lenta e pausada.

3.

Faça 30 minutos diários de atividade física, de forma contínua; suba e desça escadas em vez de usar elevador; nos momentos livres faça caminhada, pratique esportes, dance; escute música; faça passeios ao ar livre; saia com amigos e família; reserve um tempo só para você.

4.

Atividades físicas proporcionam benefícios físicos e psicológicos, tais como: controle do peso corporal; controle dos níveis de glicose, de colesterol, da pressão arterial; melhora da mobilidade das articulações; aumento da densidade óssea (previne a osteoporose); aumento da resistência física; ajuda no controle da depressão; melhora a qualidade do sono; mantém a autonomia; evita o isolamento social; alivia o estresse; aumenta o bem-estar; melhora a autoimagem e a autoestima.

5.

Cuidado com o sol: busque as horas mais frescas do dia e evite exposição prolongada ao sol; use sempre protetor solar nas áreas expostas ao sol; use óculos escuros e roupas claras, chapéu ou boné para proteger-se.

 

*Lembre-se: antes de iniciar a prática de exercícios físicos, procure orientação profissional e passe por uma avaliação médica. Fonte: Biblioteca Virtual em Saúde – Ministério da Saúde.

 

A dificuldade com o sono está associada à irritabilidade, falta de motivação, instabilidade afetiva e baixa imunidade. Educação em higiene do sono não requer contato direto com um médico, está ao nosso alcance e pode ser amplamente disseminada.

São inúmeras as razões para considerarmos a educação sobre o tema com grande potencial de melhorar nossa saúde.

Uma boa higiene do sono passa por atentar para os seguintes elementos:

 

Alimentação – Evite refeições pesadas e a ingestão de líquido em excesso duas horas antes de dormir, mas é importante não ir para a cama com fome.

Cafeína – Os efeitos de alerta e perturbadores do sono gerados pela cafeína atingem o pico aproximadamente 30 minutos após a sua ingestão. Uma única dose de café pode agir no organismo durante um período de 3 a 7 horas. Por isso, é importante evitar seu consumo a partir do fim da tarde.

Nicotina – A nicotina promove a excitação e a vigília por meio da estimulação de alguns tipos de neurônios. Assim, não se deve fazer uso após o fim da tarde. Pesquisas sugerem que as deficiências do sono associadas ao tabagismo são solucionadas por meio da interrupção do consumo.

Álcool – Bebidas alcoólicas, assim como a nicotina, agem nos sistemas neuroquímicos. Não se indica o uso de álcool próximo da hora de dormir, uma vez que o seu consumo está associado à diminuição do sono REM. Sabe-se que o álcool é metabolizado nas primeiras horas de sono. Em decorrência disso, o repouso pode se tornar mais leve, aumentando a intermitência do sono.

Exercício – O exercício regular é uma recomendação comum de higiene do sono, com a ressalva de que deve ser evitado perto da hora de dormir. Isso porque pode aumentar a excitação fisiológica e interromper o sono subsequente.

Estresse – Recomenda-se controlar as preocupações ou se envolver em atividades relaxantes. O estresse psicológico interrompe o sono, sobretudo quando presente na hora de dormir. Como consequência, o sono pode ser menos restaurador. Meditar ou ter uma rotina relaxante antes de ir para acama são ações que auxiliam na redução do estresse.

Barulho – O ruído é uma fonte clara de distúrbio do sono, reduza os barulhos em seu ambiente de sono. Estratégias de redução de som (tampões para os ouvidos) e de mascaramento de som (ruído branco, como a simulação de sons de chuva) melhoram a qualidade do sono.

Regularidade do tempo de sono – Horários regulares para dormir e/ou acordar, aumentam a sincronia entre os mecanismos biológicos relacionados ao sono.

Cochilos – Evite sonecas diurnas por mais de 30 minutos. Estudos comprovam que estas prejudicam algumas características do sono noturno, como a duração do sono REM.

Telas – A luz da maioria dos eletrônicos afeta diretamente a produção de melatonina, molécula importante para o sono. A exposição às telas reduz e prejudica o padrão e a duração do sono. Portanto, é importante que o uso de eletrônicos seja cessado momentos antes de dormirmos.

Como anda o teu sono na quarentena? Você já tinha ouvido falar em higiene do sono? Conta pra gente!

Desde 25 de maio, Blumenau conta com uma loja Cia Do Sono, a tradicional grife de colchões especiais, com 32 anos de história. A primeira unidade da marca no Estado de Santa Catarina apresenta-se com seu novo padrão de franquia, onde as lojas são pensadas com a finalidade de estabelecer uma forte conexão emocional com os clientes. O projeto é inspirado em marcas consagradas dos Estados Unidos e Europa e conta com estudos de neuromarketing para proporcionar uma experiência diferenciada.

A cidade de Blumenau, com 357 mil habitantes e com um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano – IDH do Estado foi uma das escolhidas para a Cia Do Sono iniciar seu processo de expansão nas terras catarinenses. No entanto, embora o potencial econômico e social da cidade tenha grande importância na definição do local, o ponto-chave para a escolha de Blumenau foi o perfil dos franqueados que assumiram a missão de implantação do projeto.

“Desde o início, sabíamos que a entrada em Santa Catarina deveria ter como base parceiros dedicados e dispostos a expandir”, afirmou o CEO da Cia Do Sono, Felipe Pedroso.

“Já tivemos lojas no Estado em outras épocas. Os pré-requisitos eram menores e o investimento também. Assim, as operações não prosperaram e ficamos com um abismo entre a sede, no Rio Grande do Sul, e os outros estados como São Paulo e Distrito Federal, onde possuímos redes operando há anos.

Os franqueados Ana Carla e Loadi

A frente da primeira operação catarinense está o casal Loadi Slongo e Ana Carla Marinheiro. O casal é noivo e o casamento aconteceria no final de maio, próximo da inauguração. No entanto, os preparativos foram adiados em virtude da pandemia do coronavírus, o que não impediu que outro sonho se realizasse: o de inaugurar sua loja nova.

“Pesquisamos muito antes de optar por um tipo de negócio e por uma marca. Testamos os serviço e a qualidade dos produtos. A Cia Do Sono nos surpreendeu desde o início, quando preenchi o formulário no site e em menos de uma hora o CEO da empresa ligou pra mim. Vi que havia interesse e força de realização”.

A Cia Do Sono de Blumenau conta com o o melhor colchão do Brasil, referenciado inclusive pela Revista Veja. Além disso, nos últimos 3 anos a marca desenvolveu uma completa linha de acessórios voltados ao bem-estar e saúde, como tênis com infravermelho longo, roupas fitness com fios emana®, máscaras e acessórios anti-idade etc.

A nova loja Cia Do Sono encontra-se na Rua Nereu Ramos, 165, e atende também a domicílio. O telefone de contato é: (47) 98817-0077

Existem muitos fatores que provocam os despertares ao longo da noite. E estes vão desde problemas físicos, um parceiro de cama que se mexe muito, barulhos da rua e até os pensamentos que você tem antes de dormir. Só que muitas vezes pode ser difícil voltar a adormecer.

 

 

 

 

 

O que evitar?

 

  1. Compartilhar o quarto com o seu animal de estimação

Quem tem animal de estimação geralmente tem o costume de deixar o bichinho dormir na mesma cama. Porém, pesquisas apontam que 58% dessas pessoas são acordados durante a noite. Para que você não passe por isso, treine o seu pet para dormir em outro quarto.

 

  1. Roncar

O ronco também é uma das causas que provoca despertares durante o sono. Existem alternativas para quem ronca, tratamentos com acompanhamento médico que efetivamente ajudam. No entanto, você também pode adotar alguns hábitos para prevenir o ronco.

A melhor posição de dormir para a respiração, é de lado. Dormir de lado alivia a pressão gravitacional nas vias aéreas. Outra medida que você pode adotar é parar de fumar e comer alimentos leves antes de dormir.

O ronco também pode sinalizar que você tem apneia do sono, por isso, se o problema perdurar procure ajuda médica.

 

  1. Beber álcool

A bebida alcoólica muitas vezes é utilizada para ajudar a adormecer. O problema é que quem tem este hábito geralmente acorda no meio da noite e isso acontece porque o álcool deixa o sono mais leve. Por isso é recomendável que você evite o álcool por pelo menos 4 horas antes de dormir.

 

  1. Deixar os filhos dormirem na mesma cama

Por mais que possa parecer difícil impedir os filhos de dormirem junto com os pais, esta é a melhor opção. Isto porque além de provocar despertares ao longo da noite, esta prática também prejudica a saúde da coluna.

 

  1. Deitar numa cama desconfortável

 

É bom lembrar que o aspecto conforto não se resume à uma sensação boa, porque você pode estar usando um colchão vencido e ainda achar bom.

Um colchão comum após 7 anos de uso regular, ou até menos tempo, pode estar inadequado.

Isto porque ele começa a apresentar muitos ácaros e também a afundar em algumas regiões, prejudicando a saúde da coluna.

Se este for o seu caso considere trocar de colchão por um colchão ortopédico e com tecnologias que te ajudam a obter um sono reparador.

 

  1. Deitar preocupado ou ansioso

Se você for dormir pensando muito sobre um assunto, que está te preocupando isto afetará o seu descanso. Procure se distrair com algo até adormecer e evite atividades que te deixam mais atento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Você já começou a dormir e de repente percebeu que estava em um sonho?

Já conseguiu controlar a narrativa dos seus sonhos? Se sua resposta for “sim”, você experimentou o que é chamado de sonho lúcido.

O nome revela bastante sobre a experiência: estar dormindo mas ter consciência do que está acontecendo. Algumas pessoas conseguem até conduzir o sonho de acordo com a sua vontade. Isto faz do sonho lúcido uma experiência curiosa para muitos porque por meio dele se torna possível explorar o mundo onírico com plena consciência.

Um estudo realizado no Brasil entrevistou 3.427 participantes com idade média de 25
anos. Os resultados da pesquisa indicaram que 77% dos entrevistados haviam
experimentado o sonho lúcido pelo menos uma vez.
Existem muitas técnicas que são utilizadas por pessoas que querem tentar alcançar sonhos lúcidos ou que querem aperfeiçoar suas experiências de sonhos lúcidos.

O primeiro é conhecido como “teste de realidade”

Isso pode envolver verificar se você está sonhando tanto na vida real
quanto durante um sonho. Por exemplo, uma pessoa pode se perguntar “estou sonhando agora?” e fazer sua mão passar por uma parede sólida.
Na vida real, a parede permanecerá sólida e impenetrável, enquanto em um sonho a mão passará facilmente. 

Outra “verificação da realidade” é reler uma linha de texto.

Na realidade, se lermos o texto em um cartaz, por exemplo, ele permanecerá o mesmo
quando o relermos. Já em um sonho, no entanto, o texto mudará constantemente. Conduzir esses experimentos repetidamente ao longo do dia pode tornar mais fácil lembrar de conduzi-los durante um estado de sonho, permitindo assim, que o sonhador ganhe consciência do sonho.

Notavelmente, sonhadores “lúcidos” podem aprender a conscientemente remodelar seus sonhos enquanto sonham e dão origem a profundas experiências de sonho. Já existem até estudos sobre a emergente ciência do sonho lúcido e revelam o poder potencial de usar sonhos lúcidos para melhorar o desenvolvimento psicológico e o bem-estar das pessoas.


A paralisia do sono é a incapacidade temporária de se mover ou falar que ocorre quando você está acordando ou adormecendo.

Afeta pessoas de todas as idades mas é mais comum em adolescentes e jovens adultos.

Não é prejudicial e deve passar em alguns segundos ou minutos, mas pode ser muito assustadora.

Existem pessoas que já tiveram paralisia do sono uma ou duas vezes na vida, enquanto outras experimentam algumas vezes por mês ou regularmente.

Sintomas da paralisia do sono

 O principal sintoma da paralisia do sono é estar completamente consciente do seu entorno, mas temporariamente incapaz de se mover ou falar.

Durante um episódio de paralisia do sono, você pode: achar difícil respirar fundo, como se seu peito estivesse sendo esmagado ou restringido e ser incapaz de abrir os olhos. A duração de um episódio pode variar de alguns segundos até vários minutos.

Algumas pessoas também têm a sensação de que há alguém ou algo no quarto com elas (como uma alucinação) – e sentem que essa presença quer prejudicá-las.

Quando o episódio acaba podem se mover e falar normalmente, embora possam se sentir inseguros e ansiosos para voltar a dormir.

Procure ajuda se:

  Se você experimenta a paralisia do sono regularmente pois isto o deixará muito ansioso para dormir e provavelmente se sentirá com muito sono durante o dia.

Também existem situações em que em que a pessoa adormece repentinamente ou perde o controle muscular.

Neste caso, os sintomas são de outro distúrbio relacionado ao sono chamado: narcolepsia.

 

O que fazer?

Se estiver se sentindo muito ansioso procure ajuda médica, porém, alguns ajustes podem fazer com que os episódios de paralisia do sono parem de ocorrer.

Evite substâncias como cafeína perto da hora de dormir.

Também evite assistir a filmes e séries de suspense ou terror.

Crie um ambiente tranquilo e confortável para o descanso.

Faça longas respirações antes de dormir.

 

Você já deve ter ouvido falar que o sono funciona em ciclos e que você deveria dormir pelo menos 8 horas diariamente para obter um bom descanso. Mas já se questionou se estes ciclos e horários funcionam igualmente para todas as pessoas?

Este assunto foi abordado pela cientista do sono Wendy Troxel em sua participação no Ted Talks Manhattan Beach.
No olhar de Wendy,  a questão “adolescentes com sono” é uma epidemia de saúde pública.
Isto porque os adolescentes liberam melatonina pelas 11 horas da noite, ou seja, duas horas mais tarde que adultos e crianças.
Segundo a pesquisadora, os casos frequentes de distúrbios do sono nesta fase do desenvolvimento humano não se dão em função do uso de redes sociais.
Wendy está convencida de que a falta de sono ocorre principalmente por causa do horário que iniciam as aulas nas escolas, que costuma ser muito cedo. Ela defende que isto é uma epidemia de saúde pública e sua pesquisa concentra-se nas relações e ligações existentes entre sono, ambiente social e saúde.
 
O comportamento, o cérebro e o corpo dos adolescentes sofre quando eles não dormem bem. Podem ter sintomas semelhantes ao TDAh inclusive, pode influenciar para o consumo de drogas, depressão e suicídio.
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que adolescentes que começaram a frequentar as aulas mais tarde, tiveram uma redução de 25% no número de faltas escolares.  Os padrões biológicos de sono mudam para tempos posteriores tanto para dormir quanto para acordar durante a adolescência – o que significa que é natural não conseguir dormir antes das 11:00 da noite.
Os adolescentes precisam de cerca de 8 a 10 horas de sono por noite para funcionar melhor. A maioria dos adolescentes não dorme o suficiente – um estudo descobriu que apenas 15% relataram dormir oito horas e meia nas noites escolares.
Adolescentes tendem a ter padrões irregulares de sono durante a semana – eles geralmente ficam acordados até tarde e dormem até tarde nos finais de semana, o que pode afetar seus relógios biológicos e prejudicar a qualidade do sono. Muitos adolescentes sofrem de distúrbios do sono tratáveis, como narcolepsia, insônia, síndrome das pernas inquietas ou apneia do sono.
 
Enquanto psicóloga clinica, a Dra. Troxel ajuda os pacientes a superar transtornos do sono através de tratamento comportamental, não farmacológico. Ela foi a diretora fundadora da American Academy of Sleep Medicine, um reconhecido programa de treinamento em Medicina do Sono na Universidade de Pittsburgh.
Ela oferece oportunidades de pesquisa e treinamento clínico para estudantes de mestrado e pós-doutorado interessados na medicina do sono. Ela também detém papeis de liderança em diversas sociedades de profissionais do sono, é editora associada do jornal “Sleep Health”, e tem se envolvido em esforços locais e nacionais focados em horários escolares saudáveis para os adolescentes.

Nos últimos tempos já não é novidade que o sono é o terceiro pilar da saúde e que não dormir o suficiente prejudica a qualidade de vida em diversos âmbitos. Existe a tendência de evitar dar atenção para aquilo que temos pouco ou nenhum conhecimento. Talvez seja por isso que ainda não tratamos este assunto com a seriedade que ele merece.

No entanto, cada vez mais surgem pesquisas científicas que comprovam que distúrbios do sono afetam drasticamente nossa atividade cerebral e do sistema imunológico.

Desta vez, encontramos a palestra do cientista do sono Matt Walker no TED Talks 2019, cujo nome é “Sleep is your super power – Dormir é o seu super poder.

Este é um convite que nos leva a descobrir o que realmente acontece quando alguém é privado do sono.

Como foi feita a pesquisa?

 Matt e a equipe de pesquisadores selecionaram um grupo de indivíduos e os dividiram em dois grupos experimentais: um grupo do sono e um grupo de privação do sono.

O grupo do sono, teve um total de oito horas de sono e o grupo de privação ficou acordado no laboratório, sob total supervisão.

Não houveram cochilos, nem a ingestão de cafeína e no dia seguinte, colocaram os participantes dentro de um scanner de ressonância magnética.

Lá tentaram fazer com que o grupo privação do sono aprendesse uma lista de novos fatos, ao mesmo tempo em que tiravam fotos da atividade cerebral.

Quando compararam os resultados dos dois grupos, encontraram um déficit bastante significativo de 40% nas capacidades do cérebro de criar novas memórias, nos casos em que houve privação do sono. Também houve uma queda de 70% na atividade das células natural killer.

Esse é um estado preocupante de deficiência imunológica que estabelece ligações significativas entre a privação do sono e o o desenvolvimento de inúmeras formas de câncer. Atualmente, essa lista inclui câncer de intestino, câncer de próstata e câncer de mama.

Na verdade, a ligação entre a falta de sono e o câncer é tão forte que a Organização Mundial de Saúde classificou qualquer forma de trabalho noturno como um provável agente cancerígeno, devido a uma interrupção dos ritmos de sono-vigília.

E por que isto acontece?

Matt explica que há uma estrutura que fica do lado esquerdo e do lado direito do cérebro, chamada hipocampo, que funciona quase como a caixa de informações do seu cérebro.

O hipocampo é muito bom em receber novos arquivos de memória e depois segurá-los. Quando observaram esta estrutura na pesquisa com as pessoas que dormiram as 8 horas, tiveram muitas atividades saudáveis em relação à aprendizagem.

No entanto, naquelas pessoas que foram privadas de sono, na verdade não conseguiram encontrar qualquer sinal significativo dessa atividade.

Portanto, é quase como se a privação do sono desativasse a caixa de entrada de memórias. Esse é um exemplo da importância do sono para o bom funcionamento do cérebro, mas o sono é essencial para todo o corpo. A perda do sono prejudica o sistema reprodutivo, cardiovascular, imunológico, etc.

Há por exemplo um experimento global realizado em 1,6 bilhão de pessoas em 70 países, duas vezes por ano, chamado de horário de verão. Agora, na primavera, quando perdemos uma hora de sono, vemos um aumento de 24% nos índices de ataques cardíacos.

No outono, quando ganhamos uma hora de sono, vemos uma redução de 21% nos ataques cardíacos. E o mesmo acontece em relação à acidentes de carro, acidentes de trânsito, até mesmo nas taxas de suicídio.

O que acontece com a qualidade fisiológica do seu sono quando você dorme 8 horas? Você restaura a sua memória e habilidade de aprendizado?

Quando colocaram eletrodos por toda a cabeça dos participantes, descobriram que existem ondas cerebrais grandes e poderosas que acontecem durante os estágios mais profundos do sono. Também perceberam que ocorrem explosões espetaculares de atividade elétrica, as quais chamaram de fusos de sono.

É exatamente a qualidade combinada dessas ondas cerebrais de sono profundo que age como um mecanismo de transferência de arquivos à noite. Ou seja, transfere as memórias de um reservatório de curto prazo para um local de armazenamento de longo prazo e, protege-as.

Algumas das áreas médicas que Matt desenvolveu o seu trabalho clinicamente, foi o envelhecimento e a demência. Porque é claro que não é segredo que, à medida que envelhecemos, nossas habilidades de aprendizado e memória começam a desaparecer e diminuir.

Mas o que também descobriu é que uma assinatura fisiológica do envelhecimento é que o seu sono piora, especialmente a qualidade do sono profundo. E só no ano passado, foram publicadas evidências de que essas duas coisas, elas não estão simplesmente co-ocorrendo, elas estão significativamente inter-relacionadas.

E isso sugere que o rompimento do sono profundo seja um fator subestimado que está contribuindo para o declínio cognitivo, o declínio da memória no envelhecimento e, mais recentemente, também na ocorrência da doença de Alzheimer.

Existe possibilidade de reverter a situação?

Ao contrário de muitos outros fatores relacionados ao envelhecimento (que são extremamente difíceis de tratar como por exemplo, as mudanças na estrutura física do cérebro) em relação ao sono é possível agir em direção à melhoras.

E uma maneira que encontraram para se aproximar disso no centro de sono de Matt foi desenvolvendo um método chamado de estimulação cerebral atual direta.

O método acontece por meio da aplicação de uma pequena quantidade de voltagem no cérebro, tão pequena que normalmente não se sente, mas que tem um impacto mensurável.

Por exemplo, quando aplicam essa estimulação durante o sono em adultos jovens e saudáveis, conseguem não só amplificar o tamanho dessas ondas cerebrais de sono profundo, mas também quase dobrar a quantidade de benefício de memória que você obtém do sono.

O desafio que eles encontram agora é o de tornar essa mesma tecnologia acessível para adultos mais velhos e com demência.

Quais são as dicas para um bom sono?

A primeira dica de Matt é regularidade.

Ir para a cama e acordar no mesmo horário todos os dias, seja em dias de semana ou finais de semana.

Isto faz uma ancoragem melhorando a quantidade e a qualidade do sono. A segunda é manter a calma.

O corpo precisa reduzir sua temperatura central em cerca de dois a três graus Fahrenheit para iniciar o sono e depois para continuar dormindo, e é a razão pela qual você sempre acha mais fácil adormecer num ambiente frio do que, num ambiente muito quente.

Então, aponte para uma temperatura ambiente de cerca de 65 graus, ou cerca de 18 graus Celsius porque esta é a temperatura ideal para o sono da maioria das pessoas.

O sono, infelizmente, não é um luxo de estilo de vida opcional, é uma necessidade biológica não negociável, é o seu sistema de suporte à vida.

E a dizimação do sono em todas as nações industrializadas está tendo um impacto catastrófico em nossa saúde, no nosso bem-estar, até mesmo na segurança e educação de nossos filhos. É uma epidemia silenciosa de perda de sono, e está rapidamente se tornando um dos maiores desafios de saúde pública que enfrentamos no século XXI.

 

Matt Walker Ted 2019