Algumas profissões exigem que o trabalho aconteça em turno noturno. Esta realidade é vivida por médicos, enfermeiras, motoristas de ônibus, porteiros, seguranças. É o caso do Marcelo Pereira, médico plantonista de 28 anos. Mas será que este fato não traz consequências para a saúde do sono do Marcelo e de todas as pessoas que acabam trocando a noite pelo o dia?

 

A rotina do Marcelo começa na madrugada para que consiga atender todas as enfermarias, que estão sempre lotadas.

Desde a hora em que chega no hospital até a hora de ir embora, as atividades não param.

E não é simples lidar com pessoas que estão passando por dificuldades, é preciso estar com disposição e atenção para conseguir exercer bem a sua função.

O atendimento médico vai além dos procedimentos necessários para cada caso que chega. É preciso conversar e ouvir as pessoas que estão doentes, seus parentes, prescrever receitas e solicitar exames.

Além de virar noites, Marcelo também trabalha nos finais de semana. Em casos de  emergência mesmo fora do seu horário padrão, precisa estar disponível.

O que acontece com a saúde?

Especialistas já tem provado que poucas horas de sono resultam na falta de regulação das capacidades cerebrais, estresse e maior probabilidade de doenças.

É o que sugere um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos.  Segundo a pesquisa, quando um indivíduo não descansa bem, os níveis de uma substância tóxica no cérebro aumentam, podendo causar doenças que prejudicam a memória.

Os resultados apontaram que após uma noite de privação de sono, os participantes apresentaram níveis muito altos de beta-amiloide, substância relacionada ao surgimento e desenvolvimento de Alzheimer.

E isso com a privação em um único dia! Imagina pessoas como o Marcelo, que encaram jornadas de trabalho superiores a 30 horas. Essa rotina exaustiva, comum para muitos médicos, produz fadiga e favorece o surgimento de erros, porque se torna difícil manter um bom desempenho profissional nestas condições.

Em alguns países desenvolvidos como os Estados Unidos e a Inglaterra, as discussões sobre a importância de obter mais horas de sono no caso dos médicos tem resultado em alterações nas jornadas de trabalho.

No Brasil ainda se fala pouco sobre esta problemática, mas é necessário começar a colocar em pauta, já que é realmente prejudicial para a saúde não obter as horas necessárias para o descanso diário.

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